Genes Letais e Subletais


Observou-se que, em alguns casos particulares de pleiotropia , a atividade de um par de genes determina duas ou mais características hereditárias , das quais uma constitui-se em causa condicionante da morte do indivíduo. Assim, o gene ocasiona , pela sua atuação , a morte do seu portador. Não importa a idade em que a morte ocorra. Mas ela será inevitável em face daquele genótipo. Tais genes são chamados de genes letais. Já no início deste século, Cuenot relatava que havia observado , em cruzamentos de ratos amarelos com outros iguais , que a prole resultante se distribuída em amarelos e pretos numa proporção de 2 : 1 e não de 3 : 1, como se poderia esperar num monoibridismo simples com dominância , pelas regras da genética mendelianna . Por cruzamentos de ratos amarelos com ratos pretos , ele pôde chegar à conclusão de que o gene para amarelo era dominante e que todos os ratos amarelos cruzados eram heterozigóticos. Desse modo, nunca se obtinham amarelos puros (homozigóticos). Foi possível , então, descobrir que, de fato, todos os amarelos puros morriam ainda no ventre materno. Só nasciam , portanto, os heterozigóticos. A conclusão veio mostrar que o gene para amarelo é dominante em relação à cor , mas é recessivo quanto à letalidade. Assim, nos heterozigóticos ele não determina a morte . Mas o faz nos homozigóticos. Mas nem todo gene letal é pleiotrópico. Na espécie humana , conhecem-se várias doenças mortais e incuráveis determinadas pela atividade de genes letais. A coréia de Huntington é um exemplo. Ela costuma manifestar-se após os 30 anos de idade. Mas os seus sintomas de degeneração nervosa , com tremores generalizados e sinais de deterioração mental , depois que se instalam são progressivos e irreversíveis. Como ela se manifesta um tanto tardiamente, os seus portadores habitualmente casam-se e transmitem o gene aos seus descendentes , contribuindo para a disseminação da doença. O gene que condiciona a coréia de Huntington é autossômico dominante. Já na idiotia amaurótica (demência , cegueira progressiva e morte), que se manifesta na infância ou na adolescência , o gene condicionante é recessivo.  O xeroderma é outra manifestação de gene letal (alteração pigmentar da pele que inexoravelmente degenera em câncer cutâneo), mas é determinado pela ação de um gene recessivo heterocromossômico, isto é , localizado numa região homóloga dos cromossomos X e Y.  Mas , se o gene letal provoca sempre a morte do seu portador , o mesmo não ocorre com o gene subletal, que nem sempre determina a morte do indivíduo , pois , em muitos destes ele pode revelar expressividade reduzida. Na epilóia, por exemplo, há um gene autossômico dominante que determina lesões nervosas e cerebrais , com morte em baixa idade . No entanto, alguns portadores desse gene revelam uma forma branda da doença , compatível com vida longa e com capacidade de reprodução (expressividade reduzida no fenótipo).


Ouvido Interno


É também chamado de labirinto. Apresenta-se dividido em duas partes : o vestíbulo e o caracol ou cóclea. O vestíbulo é formado por três canais semicirculares dispostos em ângulo reto , que se abrem numa dilatação - o utrículo. O interior desses canais e dessa dilatação é totalmente "atapetado" por um epitélio ciliado cujas células têm intimo contato com filetes nervosos. Há um líquido que preenche essas cavidades , no qual estão flutuantes cristais de carbonato de cálcio - os otólitos. Conforme a posição da cabeça do indivíduo (ou os movimentos bruscos que ele realize), os otólitos roçam os cílios de uma região daquele  epitélio " atapetado" . Os filetes nervosos que contatam aquela área transmitem o "aviso" ao cerebelo e este interpreta a posição em que o indivíduo se encontra. Esses filetes se reúnem e formam o nervo vestibular ( ramo do nervo acústico) que vai ter ao cerebelo. Por isso é que dissemos que o cerebelo responde pelo equilíbrio do corpo. Quando há inflamação do ouvido interno ou labirinto (labirintite), esses estímulos não são percebidos e transmitidos , e a pessoa apresenta perda da noção do equilíbrio corporal. A cóclea ou caracol é a parte do ouvido interno que responde pela capacidade de audição. Está ligada também a uma dilatação - o sáculo. Tem a forma de um conduto espiralado , enrolado em torno de um eixo. Encerra os chamados órgãos de Corti, responsáveis pela percepção dos sons e ruídos. A cóclea é como um túnel de três andares. As ondas sonoras sobem pelo caracol através da rampa ascendente (andar de cima) até o vértice da espiral. Depois descem pela rampa descendente (andar de baixo) , indo desembocar novamente no ouvido médio. Durante esse trajeto , essas vibrações se transmitem ao andar médio, fazendo trepidar a membrana tectória, que , por sua vez , movimenta os cílios das células dos órgãos de Corti. Isso estimula os dendritos das fibras nervosas que daí partem e se reúnem para formar o nervo coclear (outro ramo do nervo acústico) , que vai terminar no centro da audição , no cérebro. Como você vê , o nervo acústico é formado pela reunião dos filetes do nervo vestibular (que vão terminar no cerebelo) com os do nervo coclear (que vão terminar no cérebro). Nos invertebrados, existem estruturas precárias , chamadas estatocistos, que são pequenas vesículas contendo grãos de carbonato de cálcio, as quais atritam células ciliadas , dando-lhes também a noção de posição do corpo.   Nos insetos , já começa a surgir uma membrana com função de tímpano, cuja vibração é captada por células sensoriais. Assim, eles percebem alguns sons. Nos vertebrados, o ouvido começa a mostrar o seu desenvolvimento. Os peixes já possuem um labirinto com canais semicirculares e uma lagena , estrutura correspondente ao caracol , porém não é enrolada em espiral. Só a partir dos répteis é que a cóclea toma a sua trajetória efetivamente helicoidal. Nos peixes , a linha lateral, uma faixa pigmentada no sentido do comprimento , a cada  lado do tronco, encobre canais internos contendo células ciliadas. Por aberturas nessas faixas , a água circula pelos canais internos e transmite as vibrações às células ciliadas , de tal forma que o peixe percebe até mesmo as vibrações sonoras que se transmitem pela água , graças à linha lateral. Nas aves , começa-se a notar um pavilhão auricular precário. Mas a orelha (pavilhão auricular) só se desenvolve , mesmo , nos mamíferos.


Terra em Transe



A agenda política pautava-se agora nas eleições presidenciais ,
marcadas para outubro de 1955, agrupados, os herdeiros do getulismo
lançaram a candidatura de Juscelino Kubitscheck , governador de Minas
Gerais pelo PSD , à presidência da República , tendo como vice o
ex-ministro do Trabalho João Goulart , do PTB. A UDN indicou o general
Juarez Távora . Ademar de Barros , pelo PSP , e Plínio Salgado , pelo
PRP , completavam o quadro dos candidatos.  A composição PSD-PTB era
praticamente imbatível. Reunia as massas urbanas  e representantes das
oligarquias regionais.  Agrupava as classes médias , setores da
burguesia (industrial, agrária e comercial) e sindicalistas. Formava
uma "frente nacional" que tinha como programa a expansão da indústria
brasileira , reunindo os dois conceitos chave do período ,
nacionalismo e desenvolvimento. Mesmo assim, as eleições de 1955 foram
as mais disputadas de todo o período populista. Juscelino alcançou 36%
dos votos , contra 30% de Távora , 26% de Ademar e 8% de Plínio
Salgado. A UDN praticamente mantinha os mesmos índices da eleição de
1950. Ademar e Plínio fizeram a diferença. O governo de Juscelino
Kubitscheck (1956-1961) coincidiu com um período de otimismo e euforia
jamis visto  na história brasileira. Apoiado em uma visão de
modernidade industrializante , o novo presidente prometia 50 anos de
desenvolvimento em seus cinco anos de mandato. Escadas rolantes ,
elevadores com música ambiente, televisores , rádio de pilha ,
lambretes , automóveis formavam os símbolos de uma geração inebriada
com o conforto da vida moderna.  Novas molduras , propiciadas pela
tecnologia , enquadravam as ruidosas massas urbanas . Majestosos
cinemas exibiam as produções hollywoodianas e filmes das duas grandes
companhias do país, a Atlântida e Vera Cruz. Grandes estádios
abrigavam milhares de torcedores numa das fases mais entusiásticas do
futebol brasileiro. Largas avenidas tornavam-se passarelas de
desfiles de carnaval , de manifestações e comemorações públicas , ao
mesmo tempo que constituíam espaço de diferenciação do coletivo , que
circulava a pé , de ônibus ou bonde , e do individual, dos automóveis
" do chuá"  e das lambretas "bárbaras". Acima de todas as possíveis
molduras , emergia na vida cotidiana a pequena tela da televisão , que
enquadrava as massas no interior de suas casas e no núcleo familiar.
Com programações ao vivo , shows de calouros, concursos de misses ,
provas de conhecimento e, principalmente , novelas, a televisão
alterou o comportamento de milhares de brasileiros e tornou-se o bem
de consumo  mais cobiçado do país. Diante da telinha mágica , a massa
permanecia público.  Por conta de todas essas transformações , mas
também pelas condições políticas , pode-se considerar a segunda metade
da década de 1950 como o auge do regime populista. Apesar de algumas
escaramuças militares e da mobilização dos trabalhadores urbanos e
rurais , o governo de Juscelino conseguiu conviver com setores
antagônicos,  amortecer os setores golpistas e suportar as pressões
populares. Os militares foram agraciados com atenção especial. Tiveram
suas reivindicações particulares atendidas e assumiram importantes
postos no governo. O movimento sindical manteve-se sob o controle do
governo . E a aliança PSD-PTB significou uma afinada parceria.  Apesar
da euforia e da fina sintonia política , o entusiasmo modernizador
encobria uma série de contrastes e ambiguidades. Época de afirmação
dos valores nacionais , concretizada nas vitórias esportivas -
principalmente a Copa do Mundo de Futebol de 1958 - e na produção
cultural e artística , que criticava as influências estrangeiras, o
período JK foi também marcado pela assimilação e imitação de
comportamentos  norte-americanos introduzidos numa avalancha no país.
A juventude transviada de James Dean , Chuck Berry, Elvis Presley  e
Jerry Lee Lewis , que ouvia rock-n-roll , apostava corridas de
automóvel , sonhava com Marily Monroe , usava Blue Jean e jaquetas de
couro , odiava política , consumia álcool e envolvia-se com frequência
em brigas de turmas , invadia com seus símbolos as ruas , praças e
avenidas do nosso país tropical.  Havia , sobretudo nas cidades , um
precário equilíbrio de valores morais. Enchimento - entre as "sérias"
e as "sem-vergonha" . As primeiras , esposas que em geral casavam
virgens , cuidavam da educação dos filhos e das roupas dos maridos. As
segundas , dançarinas e vegetes , que ofereciam tratamento de luxo aos
seus seletos convidados : roupas íntimas pretas , perfume francês ,
campanha Moêt Chandon e Abaur Lilás , como fazia a célebre vedete
Angelita Martinez , tida como amante do vice-presidente João Goulart e
do jogador de futebol Mané Garrincha . Entre as amantes e as sérias , havia as separadas e desquitadas , que
povoavam as fantasias dos conquistadores e era motivo de vergonha e
constrangimentos para as famílias de bem. A rígida moral não resistia
ao carnaval. Nos recatados bailes de salão, a classe média alta
apartava-se do convício com os grupos subalternos , mas ouvia as
marchas e sambas produzidos nos morros cariocas , permitindo-se roupas
e rebolados mais ousados , máscaras e farto consumo de lança-perfume .
Nas ruas , sem as molduras dos salões , a massa ruidosa subvertia por
alguns dias a hierarquia social, ocupando o espaço público sem
pudores. Ao pé dos morros e nas vielas , a malandragem de terno e
navalha vivia se carnaval o ano inteiro. Numa época em que se presumia
que as aparências não enganavam , mulher honesta não podia fumar em
público, usar calça cumprida ou entrar num cinema desacompanhada; o
homem era obrigado a demonstrar sua valentia e proteger as damas de
quaisquer grosserias; os filhos deviam manter-se respeitosos aos pais,
mesmo diante de suas maiores arbitrariedades; o uso de uma camisa
lilás ou rosa por um homem não deixava dúvidas : tratava-se de um
"mandraque". Tempos de maniqueísmo , de inconciliáveis oposições , de
afirmação do bem contra o mal. Também nos cotidianos vivia-se a Guerra
Fria.


A Decadência Final Do Açúcar Brasileiro


Ao lado do açúcar e do tabaco , produtos voltados para o mercado
externo , desenvolveram-se algumas atividades acessórias, com vistas a
subsistência dos trabalhadores e, portanto, ao funcionamento da
economia de exportação. Essa incipiente agricultura de subsistência ,
que nunca adquiriu muita importância , era praticada em pequenas
propriedades , por camponeses e suas famílias , mestiços e índios
aculturados. Faziam parte desse cultivo , por ordem de importância , a
mandioca , o milho , o arroz e o feijão. O papel secundário atribuído
a agricultura de subsistência sempre trouxe graves  problemas
alimentares para a população colonial e , muitas vezes , a fome. Os
senhores se engenho , apesar da insistência das autoridades , não se
preocupavam com a produção de alimentos , preferindo dedicar todos os
seus recursos à cana: "O problema da carestia e da falta de alimentos
não existia para eles (os senhores de engenho) , e convinha-se muito
mais plantar a cana , embora  pagassem preços mais elevados pelos
gêneros que consumiam . E como eram eles que detinham a maior e melhor
parte das terras aproveitáveis , o problema da alimentação nunca se
resolverá convenientemente . A população colonial, com exceção apenas
de duas classes mais abastadas , vivera sempre num crônico  estado de
subnutrição . A urbana naturalmente sofrera mais , mas a rural também
não deixará de sentir os efeitos da ação absorvente e monopolizadora
da cana-de-açúcar , que reservara para si as melhores terras
disponíveis ". Expulsos do Brasil  em 1654, os holandeses dirigiram-se
para as Antilhas , na América Central. Aí , com base na experiência
que haviam adquirido no Brasil, começaram a cultivar grandes
plantações de cana. Como vimos , os holandeses dominavam o comércio de
açúcar na Europa. Compravam o açúcar de Portugal, quando não o
produziam no Nordeste brasileiro , e o vendiam aos consumidores
europeus. O desenvolvimento de sua produção nas Antilhas trouxe duas
consequências prejudiciais ao Brasil:

- Os holandeses não precisavam mais do açúcar brasileiro para vender
na Europa , pois tinham a sua produção das Antilhas.

-Produzindo eles mesmo o açúcar , podiam vendê-lo por um preço mais
baixo que o de Portugal.

Diminuindo as vendas  e os preços , baixaram os lucros do comércio
açucareiro português e , consequentemente , caiu a produção. Além do
açúcar holandês das Antilhas , outro concorrente contribuiu para a
decadência do açúcar brasileiro: o açúcar de beterraba que, nessa
época , já era produzido em grande escala na Europa.  Para fazer
frente a essas dificuldades, uma das medidas aplicadas pela metrópole
foi aumentar a espoliação da colônia. Se nos séculos XVI e XVII o
produto recebia 33% do preço final do açúcar em Londres , no início do
século XVIII sua parte fora reduzida a apenas 20%. Nas décadas finais
do século XVII , ao mesmo tempo em que aumentava sua parte nos lucros
do comércio de açúcar , Portugal também se preocupava em encontrar uma
nova fonte de riquezas que pudesse substituir , ao menos e parte , o
que já não ganhava com a economia açucareira. A busca de metais
preciosos tinha sido sido sempre um objetivo dos colonizadores. Com a
decadência do açúcar , esse objetivo dos colonizadores. Com a
decadência  do açúcar , esse objetivo foi reforçado. Como já existiam
muitas expedições aventurando-se à procura de ouro no interior do
Brasil, a Coroa portuguesa ofereceu várias recompensas aos
bandeirantes que descobrissem metais preciosos. As primeiras grandes
minas do Brasil central foram descobertas já na  ultima década do século
, em 1692 e 1694, e fizeram os colonizadores do Brasil sorrir
novamente da satisfação, ante a perspectiva de novos lucros.


O Neoliberalismo E O Estado Neoliberal


O neoliberalismo compreende a liberação crescente e generalizada das  atividades econômicas , compreendendo a produção, distribuição, troca e consumo. Funda-se no reconhecimento da primazia das liberdades relativas às atividades econômicas como pré-requisito e fundamento da organização e funcionamento das mais diversas formas de sociabilidade, compreendendo não só as empresas, corporações e conglomerados, mas também as mais diferentes instituições sociais. "Neo" liberalismo porque se impõe e generaliza em escala mundial, alcançando inclusive os países nos quais se havia experimentado ou continua a experimentar-se o regime socialista ou planejamento econômico centralizado. Sob o neoliberalismo , reforma-se o Estado [...] . O poder estatal é liberado de todo e qualquer empreendimento econômico ou social que possa interessar ao capital privado nacional e transnacional. Trata-se de criar o "Estado Mínimo", que apenas estabelece e fiscaliza as regras do jogo econômico, mas não joga. Tudo isso baseado no pressuposto de que a gestão pública ou estatal de atividades direta e indiretamente econômicas é poucas eficaz , ou simplesmente ineficaz. O que está em causa é a busca de maior e crescente produtividade , competitividade e lucratividade, tendo em conta os mercados nacionais, regionais e mundias. Daí a impressão de que o mundo se transforma no território de uma vasta e complexa fábrica global, ao mesmo tempo que shopping center global e disneylândia global.

+Ianni, Octávio. Capitalismo, violência e terrorismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira , 2004. P. 313-4.


Características Da Colonização Africana


A conquista dos territórios  foi feita por exploradores, a serviço de seus próprios países , que tinham por missão anexar o maior número de regiões , no menor tempo possível. A violência foi, de maneira geral , o traço marcante da partilha da África. Fornecedora de mão-de-obra escrava durante séculos , somente a partir de 1970 é que a África passou a ser disputa pelas sua riquezas naturais , especialmente os minérios , como ouro e diamantes. Os  territórios africanos  eram anexados de duas formas: 

1ª- Através da ocupação militar, mediante confronto direto entre a potência imperialista e a população da região. O exemplo mais trágico foi a ocupação do Congo , ordenada pelo rei belga Leopoldo II. Grande parte da população , morreu, vítima dos trabalhos forçados , da fome e dos maus tratos;

2ª- Aproveitando-se das antigas rivalidades tribais , estimulando as guerras internas e , posteriormente , anexando as regiões devastadas pelo conflito. 

Apesar de os países imperialistas exibirem o Código de Leis Trabalhistas , na prática não havia respeito à legislação e o trabalho forçado foi comum durante quase todo o período colonial. Além do trabalho imposto , a população era obrigada a pagar impostos e a fornecer diversos produtos . Os colonizadores justificavam a exploração do trabalho , alegando a preguiça natural do negro para exercer atividades produtivas. Na fase final da partilha ocorreram lutas entre os diversos países imperialistas, preocupados cada qual em assegurar  para si as regiões mais ricas . Embora o expansionismo europeu  se defrontasse com a resistência africana , o colonialismo foi facilitado pelos mecanismos de dominação impostos durante os séculos anteriores. A extensão  dos impérios coloniais era diretamente proporcional à supremacia de alguns países no  contexto europeu. Portanto, as nações que fizeram sua Revolução Industrial e a modernização da agricultura antes que as demais ficaram com a "maior fatia" da divisão asiática e africana. A Inglaterra e a França foram os países beneficiados com a política imperialista . A Itália  e a Alemanha pouco lucraram : a unificação desses países se deu tardiamente e, quando puderam expandir seus domínios , já havia muito pouco a conquistar. A desigualdade na divisão dos novos mercados provocou insatisfação nos países que foram prejudicados em seu desenvolvimento imperialista. As rivalidades entre as potências imperialistas, aliadas à ruptura do equilíbrio europeu , com o desenvolvimento da política de alianças (Tríplice Aliança e Tríplice Entente) , foram os principais que provocaram a primeira Guerra Mundial.


A Percepção Da Geografia


Uma Vez que os temas da geografia acompanharam e fazem parte do cotidiano das pessoas, inscrevendo-se nas suas condições de existência , tal fato parece justificar sua popularidade . Não precisamos frequentar a escola para comungar com a geografia. Nós a percebemos e a aprendemos por força do nosso próprio cotidiano. Partamos, por exemplo, do modo como costumeiramente formamos nosso conhecimento geográfico. Todos moramos em um lugar e temos familiares e amigos que moram em outros lugares. Estes diferentes lugares são ligados por ruas, avenidas , estradas. Pessoas , objetos e idéias fluem entre esses diferentes lugares , entrecruzam-se através das artérias que os põem em comunicação. Ajudam-se ou ignoram-se. De diferentes lugares são extraídos recursos que em diferentes lugares úteis e que são inter-combinados entre diferentes homens , de diferentes lugares. Podemos adquirir os diferentes objetos em diferentes lugares. Podemos adquirir os diferentes lugares. Uma combinação de lugares e de relações entre lugares tece uma unidade de espaço, o espaço geográfico, constituindo o espaço de existência dos homens. Este espaço pode ser a residência , a fábrica ou o próprio mundo. Como estas unidades de espaço justapõem-se , porque mesmos homens habitam diferentes unidades de espaço, e se embutem, porque uma unidade de espaço inscreve-se em outra maior , como a família , que se inscreve na fábrica, que se inscreve na cidade, que se inscreve no mundo, que se inscreve no universo, temos uma escala complexa e abrangente. Fazemos parte de uma totalidade que se compõe de uma diversidade de coisas, e é a integralidade dela que forma a existência humana. Serve-nos este painel de nossa percepção habitual do espaço geográfico para a crítica da geografia que pretendemos. O próprio painel sugere-nos uma ideia de organização e de estrutura. Se passarmos da descrição acima para sua explicação , já estaremos realizando uma passagem para a formulação de um dado discurso geográfico. Assim, poderemos passar a dizer que a geografia é um discursos global, consequentemente um saber enciclopédico, que nos confere , pelo seu domínio, o domínio de tudo. De tudo e do todo.  Porém nem todos procedem desse modo. A maioria das pessoas forma este mesmo juízo "intuitivamente" . De qualquer modo, todos formamos um "mapa mental" da geografia que vivemos. Porque a geografia é realidade objetiva."

(Moreira, Ruy . O que  é Geografia. Pp. 56 e 57. Ed. Brasiliense. 1981)


As Transfusões de Sangue


As transfusões sanguíneas exigem o prévio conhecimento ou "tipagem" do sangue do receptor (aquele que vai receber a transfusão ) e do sangue que nele vai ser transfundido (sangue do doador). Assim, a transfusão de sangue A numa pessoa do grupo B (que tem aglutininas anti-A) vai desencadear uma reação de aglutinação entre a aglutinina do receptor e o aglutinogênio do doador . Os problemas transfusionais não se restringem apenas à questão "doar" , eles envolvem também a questão "receber". O quadro seguinte mostra todos os tipos de transfusão possíveis no sistema ABO. Uma dúvida muito comum entre os estudantes: por que um indivíduo A pode receber sangue O e um indivíduo O não pode receber sangue A? A "mistura" não seria a mesma? A explicação está no seguinte fato: a quantidade das aglutininas no plasma é grande, enquanto a quantidade das aglutininas no plasma é pequena. Assim , num frasco de 500 cc de sangue O, existe realmente uma pequena quantidade de aglutinina anti-A e anti-B. Mas essa quantidade não é suficiente para aglutinar o receptor do tipo A. Já , no contrário , quando e transfunde sangue A numa pessoa do tipo O, num simples frasco de 500 cc de sangue, a quantidade de aglutinogênio é grande. Uma vez introduzido esse sangue na circulação do receptor , ele vai reagir com as aglutininas anti-A desse indivíduo . Você indagará: mas a quantidade de aglutinogênio  é grande. Uma vez introduzido esse sangue na circulação do receptor , ele vai reagir com a aglutininas anti-A desse indivíduo desse indivíduo . Você indagará : mas a quantidade de aglutininas não é pequena? Sim, é pequena quando você considera um volume de sangue num frasco de 500 cc. Mas se você considerar que numa pessoa adulta há cerca de seis litros de sangue circulante , então , neste volume , proporcionalmente , a quantidade de aglutininas torna-se suficientemente grande para reagir com os aglutinogênios que vêm no  sangue transfundido . Da reação aglutinogênio x aglutinina (reação do tipo antígeno x anticorpo) resulta a aglutinação das hemácias do sangue doado ou transfundido . Repare bem que o sangue que se aglutina é o que entra no indivíduo e não o dele mesmo. Mas isso é suficiente para provocar a obstrução de pequenos vasos em estruturas nobres como o córtex cerebral , com graves consequências. Há , também , comprometimento do parênquima renal. Isto pode ocasionar a morte do paciente. A identificação do grupo sanguíneo de uma pessoa é feita de forma simples:

1ª- Colocam-se numa lâmina (das usadas em microscopia duas gotas de sangue da pessoa a ser examina , bastando para isso dar-lhe uma picada com agulha esterilizada na polpa de um dedo.

2ª- Sobre cada gota de sangue , pinga-se uma gota de soro com aglutinina (o qual se obtém como produto industrializado ). Na gota da esquerda , coloca-se o soro anti-A ; na gota da direita , o soro anti-B.

3ª- Movimenta-se cuidadosamente a lâmina e observa-se contra a luz se houve aglutinação (floculação) do sangue em algumas das gotas.


Tanto o aglutinogênio A quanto o aglutinogênio B são produzidos a partir de uma glicoproteína precursora chama-se da substância  H. Esta , por sua vez , é condicionada à ação e um gene dominante H. O alelo recessivo desse gene (h) é raríssimo . Quando ele ocorre em homozigose, o indivíduo não produz a substância H. assim, mesmo que ele tenha um genótipo "IA IA", ou ainda "IB IB", ou ainda "IA IB", não conseguirá formar os aglutinogênios correspondentes. Desa forma, ele proceder como se tivesse sangue do tipo  O, em total desacordo com o seu genótipo . Indivíduos desse tripo ão portadores do fenótipo Bombaim (nome dado em consideração ao fato de ter sido observado pela primeira vez em habitantes de Bombaim , na Índia). Tais indivíduos , contudo , poem transmitir aos descendentes o tipo de sangue (dentro do sistema ABO) de acordo com o grupo que , na realidade , pertencem.  Na avaliação das progênies em cruzamentos relativos ao sistema ABO , o procedimento é igual ao do monoibridismo , já que cada pessoa tem apenas um par de alelos que responde pelo seu grupo sanguíneo. O conhecimento dos grupos sanguíneos do sistema ABO tem aplicação não somente nas operações transfusionais  mas também em Medicina Legal, contribuindo grandemente para a elucidação dos casos de maternidade ou paternidade duvidosa. É importante notar que se, por um lado , existem caos em que se pode excluir com absoluta certeza a possibilidade de paternidade (quando ela é posta sob suspeita), por outro lado , não há nenhuma forma de garanti-la com absoluta firmeza em qualquer circunstância . Sempre será possível a existência de um outro indivíduo não envolvido na acusação e que possa ser geneticamente igual  ao acusado. 


Circulações : Incompleta e Completa



Muita gente pensa que o coração funciona como uma bomba aspirante-premente , isto é , que "chupa" o sangue e o "toca" para frente . Esse é um erro que você não deve cometer. O coração é , na verdade , uma bomba simplesmente premente. Quando ela se enche de sangue,  está realizando uma diástole. Quando ela se contrai, está fazendo uma sístole. Ocorre , entretanto, que a sua contração, a sístole , é tão forte que propulsiona o sangue  com pressão  suficiente para circular por todo o organismo a voltar a ele, invadindo-o pelas aurículas ou átrios . Assim, quando acontece a diástole , o coração se dilata "passivamente" . Nesse momento , ele está relaxado. Está descansando. Imediatamente , sucede-se a sístole. Ele se contrai. Agora , já que a sístole é um movimento "ativo" , ele está efetivamente trabalhando. Como todo órgão, o coração trabalha e descansa intercaladamente. No longo do processo de evolução das espécies , o coração foi sendo aperfeiçoado. Nos peixes , ele possui apenas uma aurícula (átrio) e um ventrículo. O átrio é precedido por uma pequena dilatação chamada seio venoso. O ventrículo faz continuação com outra pequena dilatação- o bolso arterial. O sangue que circula pelo coração dos peixes é estritamente venoso. Quando surgiram os anfíbios na Terra, eles já traziam uma "inovação" no coração: a presença de três cavidades cardíacas - duas aurículas e um ventrículo. A aurícula direita do coração dos anfíbios corresponde perfeitamente à aurícula única dos peixes, pois recebe sangue venoso e é também antecedida por um seio venoso. A aurícula "nova" se situa  do lado esquerdo e recebe sangue arterial, não sendo antecedida de nenhuma dilatação. Surgiu , assim, um novo tipo de coração, capaz de receber sangue venoso , mas também sangue arterial. Com efeito, o coração dos anfíbios funciona "misturando" no ventrículo o sangue arterial, que chega pelos átrios esquerdo, com o sangue venoso , que chega pelo átrio direito. Como há mistura de sangue arterial com sangue venoso, diz-se que nestes animais a circulação é incompleta.  Com o advento dos répteis , a Natureza aprimorou um pouco mais o coração. Surgiu um septo no interior do ventrículo (um tabique ou parede), dividindo-o em dois compartimentos. Na maioria dos répteis , essa tabique não separa totalmente os dois compartimentos ventriculares. Então, o sangue sangue arterial se mistura com o sangue venoso. Esses animais que divide parcialmente o ventrículo  é chamado septo de Sabatier. Já nos crocodilianos (jacarés e crocodilo), o septo ventricular é completo e divide totalmente o ventrículo em dois ventrículos. Mas, ainda neles, ocorre a mistura de sangue arterial com venoso, porque entre as duas aortas que saem dos ventrículos existe um "shunt" ou ponte , que é chamado de forâmen  de Panizza, através do qual passa um pouco de sangue arterial de um arco aórtico para o outro. Nas aves e nos mamíferos , a evolução atingiu o seu mais alto grau no aprimoramento do coração. Esse órgão já possui então, quatro cavidades distintas (dois átrios e dois ventrículos), correndo sangue arterial pelas cavidades esquerdas e sangue venoso, pelas cavidades direitas. Não há nenhuma mistura de sangue arterial com sangue venoso. Por isso, dizemos que esses animais têm circulação completa. As paredes do coração são formadas por um tipo especial de tecido muscular estriado, que é o tecido cardíaco . Essa parede grossa , musculosa, que delimita as quatro cavidades cardíacas , recebe o nome de miocárdio. O miocárdio é vascularizado pelas artérias coronárias, que emergem da aorta . A obstrução de uma dessas coronárias implica a falta de irrigação sanguínea das células de uma região do miocárdio. Se, por falta de oxigênio, essas células morrerem, estará caracterizado o enfarte ou infarto do miocárdio. Ainda que a dinâmica do coração seja sensivelmente influenciada pelos nervos o sistema nervoso autônomo (os nervos do sistema simpático aceleram o ritmo cardíaco , enquanto o vago ou pneumogástrico, principal nervo do sistema parassimpático, retarda a velocidade das contrações), existem , entretanto , nódulos situados na estrutura do miocárdio que lhe dão uma acentuada autonomia de movimentos. Esses nódulos são formados de uma variedade muito especial de células musculares cardíacas , capazes de conduzir estímulos elétricos rapidamente para outras partes do coração. Dessa maneira , podemos identificar o nódulo sinoatrial (situado  no ponto onde a veia cava superior penetra no átrio direito), o nódulo atrioventricular (localizado entre o átrio direito e o ventrículo direito), o feixe de His, que conduz o estímulo elétrico para o septo interventricular , e  a rede de Purkinje , que distribui o estímulo pelas paredes dos ventrículos. O nódulo sinoatrial é quem comanda o ritmo dos impulsos nervosos, sendo, portanto, o estimulador das contrações cardíacas . Ele funciona como um marcapasso na dinâmica do coração.  Em experiência laboratorial, o coração de rã, isolado do corpo, sem inervação , portanto, quando conservado em líquido de Ringer , continua batendo por longo tempo, estimulado apenas pelo nódulo sinoatrial. Existem doenças que interrompem a transmissão cadenciada dos impulsos elétricos gerados pelo nódulo sinoatrial às outras estruturas seguintes. Então, a tecnologia moderna criou um pacemaker (marcapasso), minúsculo aparelho dotado de uma pilha , que é implantado abaixo da pele , no abdome , e do qual parte um condutor elétrico que vai ter à parede dos ventrículos , controlando , daí por diante , o ritmo das sístoles e diástoles do coração.


O Mercantilismo Português


A Coroa portuguesa, como todos os demais Estados europeus, desenvolveu um conjunto de práticas e idéias econômicas voltadas à acumulação de riquezas em seu território , que se costuma definir como mercantilismo. A acumulação de moedas e metais preciosos era compreendida, no século XVI, como o principal indicador de prosperidade. Como não haviam descoberto minas em seus domínios americanos , os lusitanos lançaram mão das atividades mercantis como instrumento de entrada de metais em seu reino. Assim, a exploração da Colônia , e o tráfico de escravos faziam parte da estratégia do Estado português para manter índices positivos em sua balança comercial, ou seja, exportar mais e importar menos. O metalismo , como é definida a intenção de acumular metais , a balança comercial favorável e a exploração das colônias constituíram os elementos característicos do mercantilismo português do período. Para garantir índices favoráveis na balança comercial, o Estado português dificultar a entrada de produtos de outros reinos, protegendo o mercado interno com impostos sobre as mercadorias estrangeiras , numa prática denominada protecionismo . Outra forma era tentar participar , ainda que de forma indireta , do sucesso da exploração colonial espanhola. A prosperidade do império espanhol atraía os mercadores portugueses. Além do contrabando que se realizava entre as capitanias do Sul e a região Platina, era comum a presença de mercadores lusitanos nos portos coloniais espanhóis. Estes, após a intensa exploração da mão-de-obra indígena que dizimou milhões de nativos , necessitavam de braços para os trabalhos das minas. Os portugueses , por sua vez , detinham diversos entrepostos e feitorias no continente africano e forneciam milhares de escravos aos conquistadores espanhóis. No interior da Península Ibérica , o comércio entre as duas Coroas também se intensificava. A prata americana, através das atividades mercantis , chegava regularmente aos mercados lusitanos, e a economia ibérica , apesar das rivalidades, começava a articular-se. No entanto, as necessidades e práticas econômicas de Portugal , e também da Espanha , esbarravam nos limites da Mentalidade aristocrática. Os setores artesanais e manufatureiros eram limitados tanto pela perseguição que se fazia contra os judeus como pela mentalidade que depreciava o trabalho manual. O preconceito racial e religioso estendeu-se a todos os plebeus que desenvolviam atividade mercantis e manufatureiras. A partir da metade do século XVI, muitos desses plebeus , mesmo os cristão-velhos , foram acusados de práticas judaizantes e perseguidos pela Inquisição. A burguesia burguesa tinha assim o seu crescimento duramente limitado pela sociedade hierárquica. Com isso, mercadorias produzidas na França , Inglaterra e Holanda - Estados que adotaram um tipo de mercantilismo voltado para o desenvolvimento mercantil aliado ao crescimento manufatureiro conseguiam competir no mercado português, apesar de todas as tributações impostas. Mais ainda , a burguesia desses Estados fortalecia-se e conseguia acumular rendas e capitais necessários ao desenvolvimento econômico.


Nos Bastidores Do Show Eleitoral


"[...] Mais do que em qualquer país do mundo, nos Estados Unidos a influência da mídia paga na TV é decisiva nas disputas eleitorais. E é por isso que o consultor de imagem  é a segunda coisa mais importante da campanha depois do candidato. Goste-se ou não do seu trabalho ou de sua ética, eles são decisivos para o sucesso de qualquer candidatura. A tática é simples, e eles não a escondem : apresentar , sem pudores, a melhor imagem do candidato e ocultar os seus defeitos. Quando melhor o consultor, mais tempo o eleitor demora para perceber os defeitos. Todo esse mito sobre os consultores de imagem americanos começou em 1960 [...] : a apertava vitória de John Kennedy sobre Richard Nixon , quando a televisão entrou para a história da política. No debate final, Nixon recusou-se a ser assessorado e apareceu sob uma iluminação ruim, mal barbeado , com um terno pouco televisivo , suando muito , contrastando com a imagem limpa e bem iluminada de Kennedy. As pesquisas foram definitivas: os que ouviram o debate pelo rádio deram a vitória a Nixon, os que os viram pela TV elegeram Kennedy. Depois de 1960, qualquer candidato que realmente deseja vencer passou a levar a sério os consultores de imagem. O próprio Nixon, anos depois , já presidente , mostrou que nuncia esquecera a lição: ' Confie totalmente no seu produtor  da televisão, deixe que ele o maquie , mesmo que você não suporte ser maquiado [...]. Isto me desanima , eu detesto fazê-lo, mas , por ter sido queimado uma vez porque não o fiz, nunca mais cometi esse erro e eu insistiria com veemência com todos os futuros candidatos que estejam certos de lembrar que, mais importante do que o que você diz, é como você aparece na televisão'. [...] Na disputa Stevendon X Eisenhower , no início da década de 1950 , quando o grande político democrata menosprezou a televisão, ainda incipiente, insistindo em fazer longos discursos , quando já era obrigado a competir pela atenção do espectador com I Love Lucy ou com os comerciais de produtos. Do outro lado, o general Eisenhower reuniu um time de experts em TV e criou um programa no qual dava respostas curtas e rápidas e várias pessoas contratadas para fazerem perguntas. Se , no estúdio, o general reclamou ('Um velho soldado tendo que chegar a esse ponto') , nas urnas , deu uma surra em Stevenson. O mais interessante personagem [...] é Michael Deaver , assessor de imagem da Casa Branca na época do presidente Reagan. A ação de Deaver é uma coisa que merece ser bem estudada por todos aqueles que realmente desejam construir uma boa imagem como político ou como governante na era da televisão. Deaver conta como foi possível firmar a imagem de Reagan com um líder carismático, um presidente que só era capaz de enfrentar a imprensa com um script previamente ensaiado. [...]".

Geral Walter é publicitário, e foi coordenador de marketing e comunicação da campanha de FHC. Folha de S. Paulo, 6 nov. 1995.


As Idéias de Lamarck


O naturalista francês Jean-Baptist Lamarck (1744-1829), em sua obra mais famosa, publicado em 1809 e intitulada Philosophie Zoologic , foi um dos primeiro a propor uma teoria sistemática da evolução . Esse fato é apresentado no prefácio da terceira edição do livro "A Origem das Espécies", de Charles Darwin, que traduzimos e reproduzimos a seguir:  " Darwin  escreveu: "Lamarck foi a primeira pessoa cujas conclusões sobre o assunto [Descendência com modificações] despertaram muita atenção (...) Nesses trabalhos, ele defende a doutrina de que as espécies, incluindo a humana , são descendentes de outras espécies  (...) Com relação ao mecanismo da modificação, ele atibuiu parte  a ação direta  das condições físicas da vida, parte ao cruzamento das formas já existentes, e , sobretudo, ao uso e desuso , isto é , aos efeitos do hábito. Para este último agente, ele parece atribui  todas as belas adaptações da natureza,  como o longo pescoço da girafa, para se alimentar no ramos das árvores. " Esta última citação de Darwin se refere a um trecho da obra de Lamarck em que ele diz o seguinte : " A girafa vive em lugares onde o solo é quase invariavelmente seco e sem capim. Obrigada a comer folhas e brotos  no alto das  árvores. Ela é forçada , continuamente,  a se esticar para cima. Esse hábito, mantido por longos períodos de tempo por todos os indivíduos da raça ,  resultou nas pernas anteriores mais longas  que as posteriores  e o pescoço tão alongado que a girafa pôde levantar a cabeça à uma altura de 5 metros, sem tirara as pernas anteriores do solo" (Extraído de BSCS, Biologia , parte 1, 1970, EDAD, São Paulo , página 39).  Hoje se sabe, no entanto , que  as grafas alimentam-se também de arbustos, e o longo pescoço parece se relacionar com a disputa " a pescoçadas" dos machos pelas fêmeas e também ao fato de propiciar enxergam  seus predadores  a grande distância, como uma torre de observação. Lamarck, no entanto,  não se baseou somente nesse exemplo , mas em muitos outros.  Um deles referem-se as aves aquáticas, , que se teriam tornado pernaltas devido ao esforço que faziam para esticar as pernas e assim evitar molhar as penas durante a locomoção na água. A cada geração esse  esforço produziria aves com pernas mais altas , que transmitiam essa característica a geração seguinte. Após várias gerações, teriam sido originadas as atuais aves  pernaltas. Segundo Lamarck ,  o princípio evolutivo estaria baseado  em duas leis fundamentais: 1ª - lei do uso ou Desuso :  No processo de adaptação dos organismos vivo ao meio  ou o uso de determinadas partes do corpo faz com que  elas se desenvolvam,  e o desuso faz com que se atrofiem; 2ª- Lei da Transmissão dos Caracteres Adquiridos:  Alterações no corpo  provocadas pelo uso e desuso são transmitidas aos descendentes. -  Na época as leis de Lamarck foram rejeitadas ,  não porque falavam na herança das características adquiridas,  mas por falar em evolução.  Não se sabia nada sobre herança genética e acreditavam-se que as espécies eram imutáveis .  Somente muito mais tarde , os cientistas puderem contestar a herança das características adquiridas. Uma pessoa que pratica atividade física, por exemplo, terá musculatura mais desenvolvida ,  mas essa condição não é transmitidas aos seus descendentes .  Não aceitação de algumas das idéias de Lamarck não deve fazer com que ele seja conhecido como o cientista que errou.  Lamarck é um dos mais importantes cientistas da história  da biologia graças às suas cuidadosas observações  da natureza que deixou registradas em muitos   livros. Deve-se ressaltar também  que foi ele o primeiro a falar em adaptação ,  mostrando que os seres vivos estão adaptados ao ambiente onde vivem .


O Estudo da Sociologia


Por que estudar a sociedade em que vivemos? Não basta vivê-la ? É possível conhecer a sociedade cientificamente? A Sociologia serve para quê? Essas são perguntas que muitos alunos fazem quando encontram essa disciplina na grade curricular . E as perguntas não param aí. Vamos procurar respondê-las no decorrer de nossos estudos. O que se pode dizer , inicialmente , é que a Sociologia , assim como as demais ciências humanas (História , Ciência Política, Economia , Antropologia, etc.), tem como objetivo compreender e explicar as permanências e as transformações que ocorrem nas sociedades humanas e até indicar algumas pistas sobre os rumos das mudanças. Através dos tempos, os seres humanos buscam suprir suas necessidades básicas mediante a produção não só de alimentos , abrigo e vestuário, mas também de normas , valores , costumes , relações de poder , arte e explicações sobre a vida e sobre o mundo. Viver em sociedade é participar dessa produção. Ao fazê-lo acabamos produzindo a história das pessoas, dos grupos e das classes sociais. Por isso , a sociologia tem uma estreita relação com a História. Basta dizer que precisamos de ambas para explicar a existência da própria Sociologia. Mas qual é o campo de estudo específico da Sociologia ? Para entender os elementos essenciais da sociedade em que vivemos , os sociólogos procuram dar respostas a questões como estas:

+ Por que as pessoas agem e pensam de uma forma e não de outra?

+ Por que nos relacionamos uns com os outros de determinada maneira , normalmente padronizada?

+ Por que existem a política e as relações de poder na sociedade?

+ Quais são nossos direitos e o que significa cidadania?

+ Por que existem movimentos sociais com interesses tão diversos? Esses movimentos são revolucionários ou apenas reformadores?

+ O que é cultura? Qual a relação entre cultura e ideologia? Como elas estão presentes nos meios de comunicação de massa?

Ora, uma das preocupações da Sociologia é justamente formar indivíduos autônomos , que se transformem em pensadores independentes , capazes de analisar o noticiário , as novelas da televisão , os programas do dia a dia e as entrevistas das autoridades , percebendo o que se oculta nos discursos e formando o próprio pensamento e julgamento sobre os fatos, ou , ainda mais importante , tenham capacidade desfazer as próprias perguntas para alcançar um conhecimento mais preciso da sociedade à qual pertencem. Como bem lembrou , o sociólogo estadunidense Charles Wright Mills, a Sociologia contribui também para desenvolver nossa imaginação sociológica , isto é , a capacidade de analisar nossas vivências cotidianas e estabelecer as relações entre elas e as situações mais amplas que nos condicionam e nos limitam , mas que também explicam o que acontece com nossa vida. Parafraseando o filósofo inglês Alfred N. Whitehead, podemos dizer que a Sociologia tem por objetivo fazer com que as pessoas possam ver e analisar o bosque e as árvores ao mesmo tempo. + Por que existe tanta desigualdade e desemprego em nosso cotidiano? A Sociologia nos ajuda a entender melhor essas e outras questões que envolvem nosso cotidiano, sejam elas de caráter pessoa, grupal, ou ainda, relativas à sociedade à qual pertencemos ou a todas as sociedades. Mas o fundamental da Sociologia é fornecer-nos conceitos e outras ferramentas para analisar as questões sociais e individuais de um modo mais sistemático e consistente , indo além do senso comum. Para Pierre Bourdieu , sociólogo francês contemporâneo, a Sociologia, quando se coloca numa posição crítica , incomoda muito porque , como outras ciências humanas , revela aspectos da sociedade que certos indivíduos ou grupos se empenham em ocultar. Se esses indivíduos e grupos procuram impedir que determinados atos e fenômenos sejam conhecidos do público , de alguma forma o esclarecimento de tais fatos pode perturbar seus interesses ou mesmo concepções, explicações e convicções. 


Como a Radioatividade Foi Descoberta


No ano de 1896, o francês Henri Bacquerel constatou que um composto de urânio - sulfato de potássio uranilo apresentava a interessante característica de causar uma mancha numa chapa fotográfica mesmo no escuro e embrulhada em papel negro. A interpretação de Becquerel era de que o composto emitia algum tipo de raio capaz de atravessar o papel e atuar sobre a chapa. Essa propriedade era semelhante à dos raios X descobertos um ano antes por Wilhelm Conrad Rontgen. Ainda no mesmo ano, Becquerel percebeu que os raios do urânio ionizavam gases , isto é , provocavam neles o aparecimento de íons , tornando-os condutores de corrente elétrica. Anos mais tarde , o alemão Hans Geiger utilizaria essa propriedade para criar o famoso contador Geiger. No final de 1897 , a polonesa Marie Sklodowska Curie passou a se interessar pelo fenômeno descoberto por Becquerel. Em abril de 1898 , ela já havia percebido que, além do urânio, outro elemento conhecido, o tório, também emitia os misteriosos raios. Começou, então, a suspeitar da existência de elementos radioativos desconhecidos. Em julho do mesmo ano, com a ajuda do marido, o físico francês de renome chamado Pierre Curie, descobriu um novo elemento que chamou de polônio. Alguns meses depois, ambos descobriram um elemento ainda mais radioativo ao qual deram o nome de rádio. Ainda no ano de 1898, Ernest Rutherford utilizou uma tela fluorescente para detectar as radiações provenientes de um material radioativo. Com auxílio de placas metálicas eletricamente carregadas descobriu que havia dois tipos de radiação , que chamou de alfa e beta. A radiação alfa , segundo ele , deveria ser formada por partículas de carga positiva , uma vez que seu feixe é atraído pela placa negativa . Já na radiação beta deveria ser formada por partículas negativas , pois seu feixe é atraído pela placa positiva. Além disso, como as partículas alfa sofrem um desvio menor, isso significa que elas devem possuir massa maior do que as partículas beta , pois, quanto maior for a massa de uma partícula , maior será a sua inércia e , portanto, mais difícil será alterar sua trajetória. Em 1900, Paul Villard , na França , descobriu uma outra forma de radioatividade que não apresenta carga elétrica , chamada de radiação gama. Nesse mesmo ano, Becquerel descobriu que as partículas beta são, na verdade, elétrons com alta velocidade. Em 1909 , Rutherford mostrou que as partículas alfa são íons de hélio bipositivos.


O Encéfalo




O telencéfalo ou cérebro humano está relacionado principalmente com a memória , inteligência e com processamento da visão, da audição, do olfato, do paladar e da fonação. O córtex cerebral revela grande aumenta de superfície , formando os sulcos e giros cerebrais (circunvoluções cerebrais). O hemisfério cerebral direito está associado à criatividade , e o esquerdo , às habilidades analíticas. 

O diencéfalo possui três centros nervosos principais:

1- Tálamo: relaciona-se com em emoções inatas e é uma área de retransmissão de informações vindas do corpo para serem processadas no cérebro e vice-versa;

2-Epitálamo: evaginação dorsal do tálamo que forma o órgão pineal, glândula endócrina que nos vertebrados primitivos era um fotorreceptor; 3-Hipotálamo : região ventral do tálamo que controla a temperatura corporal , o balanço hídrico , o apetite e interfere nas atividades dos órgãos viscerais. O hipotálamo forma o lobo posterior da hipófise (ou glândula pituitária). Ao contrário das outras glândulas , a hipófise tem origem dupla : o lobo posterior deriva do hipotálamo e o anterior do teto da cavidade bucal ; além disso, só a parte anterior produz hormônios e está sujeita ao controle do hipotálamo ; o lobo posterior não produz hormônios , mas armazena e libera hormônios produzidos no hipotálamo. No hipotálamo os nervos ópticos procedentes dos olhos se cruzam e depois se dirigem para o cérebro. Esse cruzamento denomina-se quiasma óptico. O mesencéfalo controla os movimentos dos olhos , constituindo um centro de reflexos visuais e auditivos , mas não é o centro da visão.  O metencéfalo ou cerebelo é encarregado de coordenar funções motoras como a locomoção , o equilíbrio corporal , o tônus e o vigor muscular . Nos vertebrados que voam ou nadam , o cerebelo é bem desenvolvido. Na base do cerebelo dos mamíferos existe uma estrutura denominada ponte (ponte de Varolio) onde ocorre o cruzamento das vias motoras , que passam a  ocupar , na medula espinhal , o lado contrário ao que ocupavam no cérebro. Desse modo , o lado esquerdo do cérebro controle o lado direito do corpo , e o lado direito do cérebro controla o lado esquerdo do corpo. O mielencéfalo ou bulbo é considerado um centro vital, pois controla a respiração e a digestão , além de determinar alteração nos batimentos cardíacos . Também exerce influência em certos atos reflexos , como a deglutição , o vômito , a sucção e a tosse.


"Entre Outras Mil És Tu Brasil"



No plano internacional, até 1828 o governo imperial procurou apenas o reconhecimento de sua emancipação política. Em troca disso, a Coroa brasileira assinou tratados e fez concessões que agravaram ainda mais a pesada herança colonial . Se a organização econômica impunha uma inserção subordinada do Brasil na economia mundial, de país fornecedor de matérias-primas e gêneros alimentícios , as concessões determinadas pela diplomacia aprofundaram os mecanismos de dependência, sobretudo em relação à Inglaterra , que confirmou vantagens alfandegárias e pôde escoar sua produção industrial para o interior das fronteiras do Estado Brasileiro. Mas a questão mais embaraçosa para o governo brasileiro referia-se à escravatura. Em troca do reconhecimento da emancipação política brasileira, a Inglaterra obteve o compromisso do fim do tráfico , que acabou sendo objeto de uma lei de 1831 , ano da abdicação de D. Pedro I. Com as turbulências decorrentes do período regencial e numa fase de estruturação do Estado nacional, o tráfico de escravos continuou a abarrotar os portos brasileiro com a mão-de-obra africana. Não seria possível , ainda , a esse Estado afrontar sua base social e encerrar o tráfico e a escravidão. As relações com os britânicos tornaram-se mais difíceis a partir de 1845 , quando, pela lei conhecida como Bill Aberdeen , o governo inglês se investiu na autoridade de fiscalizar e apreender embarcações que transportassem escravos em qualquer parte do mundo. A hegemonia britânica era então devastadora e o Estado brasileiro acabaria por ceder. Em 1850, após uma série de apreensões , prisões e tomadas de portos brasileiros , os tráfico negreiro foi extinto. A questão da escravatura , porém , ainda não estava resolvida.


A Revolução Americana



A ocupação da América do Norte apresentou grandes diferenças, comparadas à colonização feita pelos países ibéricos (Portugal e Espanha). Nas colônias ibéricas (América Latina) , a existência de metais preciosos e o cultivo de produtos primários procurados na Europa (como a cana-de-açúcar dos engenhos brasileiros) obrigaram esses países a seguir as severas leis mercantilistas. A colonização teve como objetivo a exploração em benefício da metrópole (Pacto Colonial). Essa exploração, feita principalmente à custa do trabalho escravo (Índio ou Negro) , impediu a acumulação de capitais nessas colônias e , portanto , dificultou sua independência política.  Já a colonização feita pelos ingleses , a partir de 1584 , caracterizou-se principalmente pelo povoamento. Além da inexistência de ouro , a semelhança do clima da Região Norte da América com o clima europeu impediu o cultivo de produtos diferentes daqueles produzidos na metrópole: não havia muito a explorar em benefício da Inglaterra. A ocupação também se fez por motivos diferentes daqueles apresentados nos países ibéricos : os colonos ingleses não vinham somente em busca de fortuna. Muitos deixaram a Inglaterra por motivos políticos e pelas perseguições religiosas dos reis absolutistas católicos. Puritanos e calvinistas fixaram-se na América do Norte , trazendo suas riquezas e suas famílias. A Região Norte não possuía produtos que interessassem à metrópole inglesa , por isso não sofreu uma fiscalização severa e pôde desenvolver-se economicamente com relativa liberdade. Os colonos dedicavam-se à pesca , ao comércio de peles e à fabricação do rum. A agricultura era feita em pequenas propriedades hortigranjeiras, pelas próprias famílias e alguns trabalhadores assalariados. A atividade agrícola atendia ao mercado interno, enquanto que as demais atividades , apesar da proibição da metrópole , serviam ao comércio externo , principalmente com as Antilhas. A Região Sul dos Estados Unidos, com clima propício para o cultivo do tabaco e do algodão (utilizado para a fabricação dos tecidos ingleses), recebeu maior atenção e controle por parte da Inglaterra. O comércio desses produtos se fazia com exclusividade para a metrópole. Os colonos sulinos, ao contrário dos colonos do Norte, fixaram-se em grandes propriedades de terra para o cultivo de um único produto (monocultura) , utilizando principalmente a mão-de-obra escrava. Muitos ingleses pobres emigravam para a América e suas viagens eram pagas pelos fazendeiros. Trabalhavam em troca de comida até quitarem sua dívida. Depois se dirigiam para o Oeste, à procura de suas próprias terras. A América do Norte , na sua fase colonial, já apresentava , portanto , classes abastadas (proprietários), classe média formada por comerciantes e pequenos agricultores e uma multidão de camponeses livres , pobres, mas com perspectivas de conseguir suas próprias plantações. Também já possuía experiência de governo: Nas colônias , o governador era designado pelo rei inglês, mas o "Conselho" era formado de cidadãos eleitos entre os mais destacados membros da sociedade local. Nessa ordem social desenvolveu-se um sentimento de amor à nova pátria , que lhes era tão favorável.

Hierarquia e Influência Dos Centros Urbanos no Brasil



Dentro da rede urbana , as cidades são os nós de sistemas de produção e distribuição de mercadorias e prestação de serviços diversos , que se organizam segundo níveis hierárquicos distribuídos de forma desigual pelo território. Por exemplo, o Centro-Sul do país  possui uma rede urbana estruturada com grande número de metrópoles , capitais regionais e centros sub-regionais bastante articulados entre si. Já na Amazônia , as cidades são esparsas e bem menos articuladas , o que leva centros menores a exercerem o nível de importância da hierarquia urbana regional que outros maiores localizados no Centro-Sul. Como já vimos , outro fator importante que devemos considerar ao analisar os fluxos no interior de uma rede urbana é a condição de acesso proporcionada pelos diferentes níveis de renda da população.  Um morador rico de uma cidade pequena consegue estabelecer muito mais conexões econômicas e socioculturais que um morador pobre de uma grande metrópole. Como a mobilidade das pessoas entre as cidades da rede urbana depende de seu nível de renda , os pobres que procuram e não encontram o bem ou o serviço de que necessitam no município onde moram acabam ficando sem ele.  Segundo o IBGE , as regiões de influência das cidades brasileiras são delimitadas principalmente pelo fluxo de consumidores que utilizam o comércio e os serviços públicos e privados no interior da rede urbana. Para realizar o levantamento para a elaboração do mapa que foi investigada a organização dos meios de transporte entre os municípios e os principais destinos das pessoas que buscam produtos e serviços (mercadorias diversas , serviços de saúde e educação , aeroportos , compra e venda de insumos e produtos agropecuários e outros). A disseminação do acesso ao sistema de telefonia , o aumento no número de pessoas conectadas à internet , a modernização do sistema de transportes e a ocupação de novas fronteiras econômicas vêm modificando sustancialmente a dinâmica dos fluxos de pessoas , mercadorias , serviços e informações pelo território nacional.

1¤Metrópoles - São os 12 principais centros urbanos do País e foram divididas em três subníveis , segundo o tamanho e a capacidade de polarização:

a-Grande metrópole nacional - São Paulo, a maior metrópole do País (195 milhões de habitantes , em 2007) , com poder de polarização em escala nacional; b- Metrópole Nacional - Rio de Janeiro e Brasília (11,8 milhões de habitantes, respectivamente , em 2007), que também estendem seu poder de polarização em escala nacional , mas num nível de influência menor que São Paulo;

c- Metrópole - Manaus , Belém , Fortaleza , Recife , Salvador , Belo Horizonte , Curitiba , Goiânia e Porto Alegre , com população variando de 1,6 (Manaus) a 5,1 milhões (Belo Horizonte) , são regiões metropolitanas que têm poder de polarização em escala regional. 

2. Capital Regional - Neste nível de polarização encontramos 70 municípios com influência regional. 

É subdividido em três níveis:

a. Capital Regional A - Engloba 11 cidades , com média de 955 mil habitantes. 

b. Capital regional B - 20 cidades , com média de 435 mil habitantes;

c. Capital Regional C- 39 cidades , com média de 250 mil habitantes. 

3. Centro sub-regional - 169 municípios com serviços menos complexos e área de polarização mais reduzida , são subdivididos em :

a. Centro sub-regional A - 85 cidades , com média de 95 mil habitantes;

b. Centro sub-regional B - 79 cidades, com média de 72 mil habitantes. 

4. Centro de zona - 556 cidades de menor porte que dispõem apenas de serviços elementares e estendem seu poder de polarização somente nas cidades vizinhas. Subdivide-se em:

a. Centros de Zona A- 192 cidades , com média de 45 mil habitantes;

b. Centros de zonas B- 364 cidades, com média de 23 mil habitantes. 

5. Centro local - as demais  4 473 cidades brasileiras, com média de 8 133 habitantes e cujos serviços atendem somente  a população local, não polarizam nenhum outro município , só são polarizados. É importante destacar que o mapa mostra as regiões de influência econômica das cidades sem se preocupar com a classificação das regiões metropolitanas legalmente reconhecidas. Ele é importante para os governos (federal, estaduais e municipais) e a iniciativa privada planejarem a distribuição espacial dos serviços oferecidos à população.